Morreu, aos 92 anos, o antigo Presidente da República. Mário Soares estava internado, desde 13 de dezembro, no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa. Nos últimos dias, Soares encontrava-se em coma profundo.

Mário Alberto Nobre Lopes Soares nasceu na capital portuguesa a 7 de dezembro de 1924. O seu percurso político foi marcado, na juventude, pela luta antirregime salazarista, o que lhe custou, entre outras prisões, uma deportação para São Tomé e Príncipe, em 1968. Esta deportação seria revogada por Marcello Caetano, que lhe permitiu o exílio em França, em 1970.

Soares foi um dos fundadores do Partido Socialista e uma das principais figuras políticas do pós-25 de Abril, tendo sido fundamental, por exemplo, no processo de adesão de Portugal à então Comunidade Económica Europeia, hoje União Europeia.

Mário Soares foi o 105.º (1976-78, I e II Governos constitucionais) e o 112.º (1983-85, IX Governo constitucional) primeiro-ministro de Portugal, mas foi como Presidente da República em dois mandatos consecutivos (1.º mandato de 10 de Março de 1986 a 1991, 2.º mandato de 13 de Janeiro de 1991 a 9 de Março de 1996) que se cristalizou como uma espécie de figura paternal da democracia portuguesa. Acrescente-se que Soares foi o primeiro Presidente civil democraticamente eleito após a queda do Estado Novo.

No campo político, as suas disputas com Álvaro Cunhal no período quente do pós-25 de Abril tornaram-se míticas. A sua corrida à Presidência em 1986, tendo por adversário Diogo Freitas do Amaral, ficou igualmente na história da democracia portuguesa – e até o slogan “Soares é fixe” permanecerá como símbolo de um Portugal fresco que despontava para a modernidade ainda de um modo um pouco desajeitado.

Com uma forma de estar muito própria, dono de um carisma que não deixava ninguém indiferente, Mário Soares dividiu e continua a dividir opiniões. A sua imensa popularidade não impediu que tivesse, desde sempre, muitos detratores e até inimigos. No entanto, Portugal será unânime num ponto: o antigo Presidente da República Mário Soares foi uma figura incontornável do século XX português.