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Feb 6, 2017 | Estilo, Moda

Foi um dos grandes fotógrafos do séc. XX e tinha tanto de artístico como de abrangente: imprimiu a sua estética em retratos de escritores, artistas, celebridades, crianças, profissionais, mas também de nus e natureza morta. Encontrava beleza em fruta a apodrecer ou em beatas de cigarro e defendia até que “fotografar um bolo pode ser arte“.

Nasceu em Plainfield, New Jersey, em 1917. Filho de um relojoeiro e de uma enfermeira, estudou, entre 1934 e 1938, no Philadelphia Museum School of Industrial Art sob a coordenação do designer Alexey Brodovitch, que trabalhava para a Harper’s Bazaar, em Nova Iorque, deslocando-se uma vez por semana para Filadélfia para lecionar.

Irving Penn estagiou com Brodovitch na Harper’s Bazaar, e passou depois um período de formação a redesenhar a estratégia de marketing para o Saks Fifth Avenue. Começou também a fotografar o lado urbano de Manhattan, mas foi o ano que passou no México a pintar que em muito contribuiu para a sua estética fotográfica, porque aprofundou noções de luz e simplicidade, duas características do seu ADN enquanto fotógrafo.

No regresso a terras do Tio Sam, conheceu, através de Alexey, Alexander Liberman, diretor de Arte da Vogue, de quem se tornou assistente. O seu primeiro trabalho para a revista tornou-se capa da edição de outubro de 1943 – um still life com uma luva, uma carteira e um cinto – o primeiro das mais de 150 capas que viriam a surgir dentro da Condé Nast com a assinatura de Penn.

Eu próprio fico impressionado com a câmara fotográfica. Reconheço-a como o instrumento que é, parte Stradivarius, parte bisturi“, disse Penn. E, de facto, precisava de pouco mais para concretizar as suas imagens. Segundo Cecil Beaton, fotógrafo, “Penn dificulta as coisas para si mesmo. Não emprega ferramentas, adereços especiais, nada senão a mais simples das iluminações – provavelmente, luz de uma única fonte oriunda da lateral.”

Tinha o dom de se inspirar em qualquer coisa que escolhesse – “consigo ficar obcecado com o que quer que seja, se a observar por tempo suficiente. É a maldição de se ser um fotógrafo“, dizia -, daí a abrangência do seu trabalho. Pela simplicidade, as suas fotografias de moda induziam à interpretação de que as roupas eram tão belas que não precisavam ser fotografadas em cenários requintados. O mesmo acontecia com as pessoas, que, nos seus retratos, eram poupadas do exagero. Vistas e expostas como suficientemente interessantes para não precisarem de nada exacerbado, as fotos de natureza morta com queijo, carne, papel, chávenas, beatas de cigarro e manchas de batom em copos de licor, por exemplo, tinham todos os elementos necessários para que o observador não apenas construísse uma história, mas a adequasse à sua própria circunstância.

“Uma boa fotografia é aquela que comunica um facto, toca o coração, deixa o espectador uma pessoa mudada por tê-la visto. É, numa palavra, eficaz“, defendia.

Ainda que as imagens cunhadas por Irving Penn se alargassem a sete décadas (morreu em 2009, com 92 anos, e nunca se reformou, realmente), o seu estilo fotográfico manteve-se do início ao fim. Todas as fotos pretendiam ser uma obra de arte, com a forma e a figura a sobreporem-se a tudo o resto, e conseguiu que assim fossem. Estava exponencialmente consciente dos detalhes de cada imagem e não havia nada nelas que não estivesse lá propositadamente.

5 curiosidades sobre Irving Penn

1. Possuía uma técnica de impressão nas suas fotografias que não era usual: começou a usar o platino ao invés da prata.

2. Casou com a supermodelo Lisa Fonssagrives, em 1950.

3. Descrevia as suas fotografias como Beautitudes.

4. A sua capa com um still life para a Vogue foi a primeira e única do género.

5. Era irmão de Arthur Penn, realizador de “Bonnie and Clyde“.