Já só ouve falar da Black Friday e sabe que tem qualquer coisa a ver com o poder comprar aquele gadget que quer a preços de saldo, mas sabe quando surgiu esta sexta-feira de promoções? Ou porquê?

Comecemos pelo nome: há várias justificações, mas alegadamente o termo Black Friday surgiu nos anos 60, quando os livros de contabilidade eram ainda em papel e escritos a caneta. Nesta sexta-feira negra, as vendas ajudavam as contas a sair do “vermelho” (que assinalava o prejuízo) e a passar para o “preto” (significado de lucros).

A data, cuja origem é norteamericana mas hoje já se estendeu a outros países, acontece no dia a seguir ao Dia de Ação de Graças (assinalado na quarta quinta-feira de novembro) e é oficiosamente a abertura das compras de Natal. Apesar de não ser um feriado oficial, alguns estados dos EUA autorizam a tolerância de ponte para os trabalhadores.

Há quem argumente também que o nome tem a ver com o caos que cria e o lado negro dessa situação. Não admira, se tiver em conta alguns episódios, nomeadamente nos armazéns Wal-mart, onde parece concentrar-se a maior confusão – até já existe a hashtag no Twitter para #WalmartFights. Por exemplo, em 2012, duas pessoas foram alvejadas no parque de estacionamento de um Wal-Mart em Tallahassee, Florida: estavam a discutir por causa de um lugar para o carro. Em 2011, uma mulher disparou gás-pimenta sobre uma multidão no departamento de eletrónica do espaço – estava a tentar apanhar uma Wii com 60% de desconto -, e, no ano anterior, a confusão de gente num Wal-Mart em Sacramento obrigou a que a loja fosse evacuada quando os empurrões e atropelamentos começaram entre os que esperavam desde as 5h e 30 da manhã – algo similar aconteceu em 2009 num estabelecimento da cadeia na Califórnia.

A pior “Black Friday” de sempre ocorreu em 2008, quando um homem foi atropelado pela multidão: apesar do porte e tamanho considerável, o funcionário Jdimytai Damour morreu asfixiado quando a multidão de pelo menos 2.000 pessoas o empurrou para um vestíbulo num Wal-Mart em Nova Iorque, onde acabou por sufocar. Outros onze clientes ficaram também lesionados, incluindo uma grávida. Em 1998, uma mulher do Michigan atacou uma vendedora que lhe revirou os olhos e, em 2000, duas mulheres no Mississipi brigaram por causa de uma scooter de 39,95 dólares.

Em Portugal, a “Black Friday” tem ganho cada vez mais expressão, mas não com episódios desta dimensão, felizmente. Se está à procura de bons negócios por cá, por exemplo a Apple já ameaçou descontos; que o Nuno Gama terá descontos entre os 20% e os 60% na sua loja na Rua do Século, 171; que a SportZone antecipa a Black Friday para hoje e mantém a campanha até domingo; a portuguesa Freakcloset, de calçado, preparou um desconto especial de 35% em todas as encomendas; a Chilli Beans (com promoções de 50% nos óculos e relógios), a Samsonite (30&% menos em artigos selecionados), a Óptica Boavista (20% de desconto – sexta e sábado) e a Fred Perry (30% em todas as peças na loja) também aderem ao dia; a nacional Vertty (aquela das toalhas originais) é outro dos nomes nacionais que adere à data norteamericana, com descontos até 50%; e espreite também as lojas Inditex – diz que a maioria terá descontos na ordem dos 20%.

Um punhado de exemplos que são a ponta do iceberg – se estiver atento às suas marcas preferidas, decerto encontrará boas surpresas. Mas não atropele ninguém.

 

5 curiosidades sobre a “Black Friday”:

  • Os norteamericanos passam mais tempo em compras no fim de semana de Ação de Graças que nos parques mais populares da Disney: em 2014, 22 milhões de pessoas visitaram o Wal-Mart nesta altura contra as 18,5 milhões que foram à Disneyworld ou as 16 milhões que entraram na Disneyland.
  • Diz que foi o Macy’s que começou a tradição da temporada de compras logo depois do Dia de Ação de Graças, em 1924, com o seu famoso desfile Thanksgiving Day Parade – essencialmente, uma campanha para fazer compras nos armazéns, claro.
  • Supostamente, na década de 50, os operários fabris referiam-se ao dia após a Ação de Graças como “Black Friday”, porque era a data em que mais trabalhadores “ficavam doentes” e faltavam ao trabalho.
  • A “Black Friday” partilha a data com o “Buy Nothing Day” (Dia de Não Comprar Nada), o dia de protesto contra o consumismo.
  • Este ano, os aderentes da Fnac testemunharam o maior fail da empresa: na mensagem que anuncia os descontos da loja, o link curto que acompanhava o SMS hiperligava o site da… Worten.