“1984”, de George Orwell, regressa aos tops de venda por causa de Trump

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O livro 1984 de George Orwell está a subir na lista de bestesellers da Amazon.com. A situação, dizem, é consequência da escolha de palavras de Kellyanne Conway, conselheira de Donald Trump.

Escrito em 1949, estava no topo da lista do site, esta quarta-feira, obrigando a editora Penguin a imprimir mais 75 mil cópias devido à procura, um número substancial e muito superior à impressão de novas edições do livro em questão, de acordo com um porta-voz da editora em declarações à CNN.

O mesmo porta-voz acrescentou também que, desde a eleição de Trump a 8 de novembro, 1984 vendeu 47 mil cópias, mais do que no ano anterior. A justificação pode estar no enredo da história: no livro de Orwell, o autor apresenta uma sociedade totalitária onde se elimina a vontade própria do indivíduo e se limita a liberdade de pensamento e que está em constante vigilância por um omnisciente Big Brother.

Muitos associam este novo incremento de vendas recente às declarações de Kellyanne Conway que, numa entrevista à NBC (depois de Sean Spicer, porta-voz da Casa Branca, ter afirmado aos jornalistas que a cerimónia de tomada de posse do presidente dos EUA foi a mais vista de sempre, embora as imagens digam o contrário), argumentou que as declarações de Spicer se tratavam de “factos alternativos“. A associação da expressão a Orwell, que também se refere a “factos alternativos” o livro, foi depois apontada por Karen Tumulty, do Washington Post.

Em 2013, aconteceu algo similar: as vendas do livro aumentaram quando o ex-funcionário da NSA (National Security Agency), Edward Snowden, revelou detalhes do programa de vigilância dos Estados Unidos aos media.